terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vil trovador


Desisto das minhas ilusões
De amores, de sonhos, de familiares,
Das lutas que guerreiro travava
Em plena virilidade de meus ares

De meu corpo já frágil abro mão,
Abro mão de minha alma em cantiga,
E de tu, perfeição em mulher que imaginei
Abrindo mão, abro mão de minha vida

Minhas feridas que antes se fechavam
Na brisa da aurora após negro anoitecer,
Mais fortes com o vento racham-se agora,
De sangue me secam até quase morrer.

Há febre em meu hálito... Eu tremo.
Fervente e pálido, tua pele deliro.
Quem me dera fosse tremulo em teu colo,
Que fosse de teu corpo o fogo que espiro

Mais o suor que hoje banha minha cama
Não tem outra parceira que a desilusão,
Pelas graças tuas, amante mulher,
No delírio ofegante não ter em paixão

Queria ao menos dizer-me merecedor
De ti, ninfa em perfeição que sonhei.
Merecedor de teu corpo fervente
Teu lábio demente, pelos quais me humilhei

Mais nem disso posso dizer-me agora
Ao lembrar o passado, me resta só dor.
Fui reles pedinte da fortuna dourada,
Na sombra da lua fui vil trovador.

Morro culpado por desejar mais que tudo
Este amor, do qual não mereço nem o direito
De poeta errôneo sofrer em meu leito,
Quando o ar já me falta e me falha o peito.

Destes míseros segundos que me restam
Que passam como a areia do deserto ao vento
Deixo no papel poesia, para que você saiba
Que foi teu meu ultimo pensamento.

Um comentário: