Tenho mãos que flutuam querendo fazer cantigas
Cantigas de amor pra moça mais bonita do mundo
Elas deslizam sobre as letras que eu erro
Afogam-se na carência destas águas antigas
Pra dizer dos carinhos que ela me faz
Pra dizer das vezes que aves foram
Pra desenhar com seus olhos o relevo dela
Pra ser a luz da pele seda que me da paz
Estas mãos me matam quando falam o quanto é bela
Quando me jogam nas cachoeiras de seus cabelos
Elas me matam na sua boca rosada e úmida
Me matam nos olhos grandes e brilhantes dela
Há seus olhos... Preciso de mais tempo para dizer-lhes
São duas lagoas, não em cor mais em luz e movimentos
São sincero silencio, São meus mais puros sentimentos
Traduzidos nos seus lábios. Assim são eles
Minhas mãos me matam por ela ser tão compreensiva
Por me saber fora e dentro do meu saber
E perceber que as vezes preciso ser triste para amar
Mais sem me esquecer, voltar e alegrar minha vida
Ó minhas mãos... Por que não me esquecem só
Na minha casa, se não isso darei ordens de ida,
Que se vão minhas pernas me levar a outro lugar
Qualquer lugar que não possam maltratar-me sem dó
Estas pernas sim já me deram sossego
Não me levam as graças da mulher mais bela
Pois elas nunca conheceram esta graça
Vão-se mãos da poesia, fiquem pernas do desapego.
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