terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tenho mãos que flutuam querendo fazer cantigas


Tenho mãos que flutuam querendo fazer cantigas
Cantigas de amor pra moça mais bonita do mundo
Elas deslizam sobre as letras que eu erro
Afogam-se na carência destas águas antigas

Pra dizer dos carinhos que ela me faz
Pra dizer das vezes que aves foram
Pra desenhar com seus olhos o relevo dela
Pra ser a luz da pele seda que me da paz

Estas mãos me matam quando falam o quanto é bela
Quando me jogam nas cachoeiras de seus cabelos
Elas me matam na sua boca rosada e úmida
Me matam nos olhos grandes e brilhantes dela

Há seus olhos... Preciso de mais tempo para dizer-lhes
São duas lagoas, não em cor mais em luz e movimentos
São sincero silencio, São meus mais puros sentimentos
Traduzidos nos seus lábios. Assim são eles

Minhas mãos me matam por ela ser tão compreensiva
Por me saber fora e dentro do meu saber
E perceber que as vezes preciso ser triste para amar
Mais sem me esquecer, voltar e alegrar minha vida

Ó minhas mãos... Por que não me esquecem só
Na minha casa, se não isso darei ordens de ida,
Que se vão minhas pernas me levar a outro lugar
Qualquer lugar que não possam maltratar-me sem dó

Estas pernas sim já me deram sossego
Não me levam as graças da mulher mais bela
Pois elas nunca conheceram esta graça
Vão-se mãos da poesia, fiquem pernas do desapego.

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