Hoje me derramo novamente nestes textos
Que saudades, na dura solidão, passaram sem mim.
Como sou egoísta por receber na angustia deles os beijos
E enterrá-los na noite em minha vida e sem flor de jasmim.
Rogando perdão digo-lhes com coração palpitante – voltei.
E trago comigo histórias de tristes tempos de ausência,
Pois fui fraco ao louco seio da dama da noite onde me alentei
Quando sumiu meu amor para longe pedindo clemência.
Hoje com sua volta, volta-me também a tua lembrança
Ao perguntar-me – “Como passei sem te ter por um dia?”
Hoje canto pra ti pelos campos de flores como uma criança,
Sem pressa de ter calma ao sonhar minha bela enquanto dormia.
Sim, ela me veio. Mais trousse junto de si a premonição da ausência
O mundo conspira junto aos homens tira-la de mim novamente
Volto-me a ti, na presença da noite te pedindo clemência
Para que e voe cantando o que sinto a ela tremula e ausente:
– Não tremas mais que seu queixo, minha amada, no frio,
Ao ouvir meus versos de calorosa paixão se acalme.
Não temas minha volta ao bordel da madrugada insano e sombrio
Nem temas que outra, perdida, em minha estrada se passe
Se há ainda dor por desrespeitar sua falta perdendo-me na noite
Se há ainda suplícios pelo tempo que te fiz esperar-me
Se há ai o remorso dos meus olhos que outra antes viu e não avistou-te
Todo castigo, que não for teu desprezo, poderá despejar-me
Se é medo da tua falta em mim, por ti já ser dor sentida
Se é anseio de teu teatro retirar-me todo o sentimento
Ou se crê que seus sonhos e meus sonhos não se cruzam na vida
Faço-me brisa para dizer-te na branca seda de seus lençóis neste momento
Não há distancia, de hoje em diante, que eu não atravesse
Por mais que os anos e as correntes arranquem do meu corpo o descanso,
Nem há por ti sofrido fingir ou grito contido que em mim te matasse.
Seu sonho tornou-se meu sonho, e só em ti acalmada sou manso.
Branca ave poesia, diga que a espero se preciso for esperar.
Sei que te deixei pássaro da noite, quando de minha juventude fostes seda pano
E se minhas angustias, com justiça, seu canto nos lençóis dela não derramar,
Antes de ir, se não for pedir muito, diga a ela apenas – “Eu te amo.”
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