Meus ossos cresceram dentro de mim e isso doeu
Tanto que hoje nem ouço o que o tempo ainda tem pra dizer
Mas ainda consigo engolir um trem no momento em que grita a sirene
No momento em que a garota feia é chutada
Pelas gargalhadas da sua mais nova eterna paixão
No momento em que a criança aponta sua imaginação desfocada
E brincando estoura o peito do seu menos que meio irmão
Quando o despercebido olha pro vidro, carne, ferro, pele e pedra
E contagia-se com a idéia de que o mundo já se acabou nesta estação
Eles estão inseridos em suas tribos, mas quem não tem uma?
Não sou como nenhum deles nem sinto o que eles sentem
E onde mais estiver não é lá que quero estar de verdade
Não notam o todo como eu, mas pelo menos estão presentes
E alegremente isso parece ser tudo o que importa pra eles
Meu maior prazer seria saber que ainda sinto o que digo
Mas digo o que finjo pra mim e nisso não me engano
Por isso não se torture por não se deixar ser feliz comigo
Nem finja que é capaz de mentir pra mim sobre quem sou
Carregando meu peso como se o retirasse de mim
Você não pode nem mesmo enganar que pode, é de mais pra qualquer um
E você sabe que nunca estarei completamente inserido
Tenho que confessar que ando me torturando no chuveiro
E tenho vontade de me quebrar em mil pedaços no vidro do banheiro
Vejo todas as musicas que me marcaram ao meu dispor
Mas quando as ouço percebo que já não tenho marcas nem cicatrizes
Não tenho nem a dor de que queria me livrar pra dizer que dor foi o que sobrou
Nem mesmo posso dizer que sou um deserto pois isso já seria algo
Sou um corpo sem marcas, uma boneca que ninguém nunca brincou
Não tenha medo de nós, nem queira dar-me algum tipo de cor
Tenha medo por que você ainda é a melhor parte do que sou
E só queira ver uma bela nuvem, um bom filme, deitar, dormir
E não saber nem sentir, mas deixar existir que entre nós acabou