quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Tempo


O tempo, o tempo passa
Passarinho ou montanha
Montado num cavalo de asas
Em brasas de destruição tamanha

O tempo, um pensamento,
Um tormento ausente do agora,
Aurora de luz quando momento
Atento a sua única hora.

Traz, faz mais que esperança
Dança tanta trança aqui
Aquecendo em águas mansas

Sentido sentido amigo do momento,
Atento movimento contento sem fim,
Afim do sim ao mim o tempo.

Despertando na Passarela de Ferro

Meus ossos cresceram dentro de mim e isso doeu
Tanto que hoje nem ouço o que o tempo ainda tem pra dizer
Mas ainda consigo engolir um trem no momento em que grita a sirene
No momento em que a garota feia é chutada
Pelas gargalhadas da sua mais nova eterna paixão
No momento em que a criança aponta sua imaginação desfocada
E brincando estoura o peito do seu menos que meio irmão
Quando o despercebido olha pro vidro, carne, ferro, pele e pedra
E contagia-se com a idéia de que o mundo já se acabou nesta estação
Eles estão inseridos em suas tribos, mas quem não tem uma?
Não sou como nenhum deles nem sinto o que eles sentem
E onde mais estiver não é lá que quero estar de verdade
Não notam o todo como eu, mas pelo menos estão presentes
E alegremente isso parece ser tudo o que importa pra eles
Meu maior prazer seria saber que ainda sinto o que digo
Mas digo o que finjo pra mim e nisso não me engano
Por isso não se torture por não se deixar ser feliz comigo
Nem finja que é capaz de mentir pra mim sobre quem sou
Carregando meu peso como se o retirasse de mim
Você não pode nem mesmo enganar que pode, é de mais pra qualquer um
E você sabe que nunca estarei completamente inserido
Tenho que confessar que ando me torturando no chuveiro
E tenho vontade de me quebrar em mil pedaços no vidro do banheiro
Vejo todas as musicas que me marcaram ao meu dispor
Mas quando as ouço percebo que já não tenho marcas nem cicatrizes
Não tenho nem a dor de que queria me livrar pra dizer que dor foi o que sobrou
Nem mesmo posso dizer que sou um deserto pois isso já seria algo
Sou um corpo sem marcas, uma boneca que ninguém nunca brincou
Não tenha medo de nós, nem queira dar-me algum tipo de cor
Tenha medo por que você ainda é a melhor parte do que sou
E só queira ver uma bela nuvem, um bom filme, deitar, dormir
E não saber nem sentir, mas deixar existir que entre nós acabou

Do Vento


Volto pra dizer que nada o vento me traz
Pois o vento não traz nada alem de ar
E pra ser importante não precisa trazer muito mais
Volto só pra dizer que hoje sinto o vento passar



Prece


Sei que são sinceros os votos de suas orações
Sei também que divina és tua voz quando as pronuncia
Mais não me peça para crer só por que é crença de milhões
Sabe que não nego o bem pois minha voz não me denuncia

Aceito o que me almeja e admiro o que agradece
E agradeço a ti que estais comigo quando de ti preciso
Se um dia tiver que dedicar a alguém minha prece
Saiba que jogada ao som do vento ela só dormira contigo

O Bruto Amar Abrupto ao Mar


Dita a vida dita minha di tão distante, mas diz antes o andante pensamento que avante foi distante cantante e com teto contento no que zelo e prezo pois rezo que a navalha valha em tua malha e a faça falha e se for preciso fico e finco a foice e faço o fato falso e furtivo feito arame farpado escondido pois é contigo o que vou dizer:
“Só sou sol só e só”

Quando quero...


Quando quero estar feliz tenho que abrir todas as janelas
E todas as portas e todos os buracos caseiros que deixem entrar luz
Quando quero estar bem tenho que ir me aquecer ao sol
Ou me cobrir por completo em dias frios com blusa e capuz

Quando me vem esta vontade de ficar bem tenho que esquecer
E esquecer quase tudo que já foi ou vá ser menos do que me faz bem
Quando quero ficar de verdade de bem comigo mesmo
Tenho que sair sorridente e sem palavras fazer sorrir alguém

Alguém que por sorte ou destino tenha cruzado meu caminho
Alguém que de longe reconheço de outras épocas felizes
Quando é necessário que eu esteja bem é necessário fazer o bem também
E deixar em alguém que comigo cruzar uma semente de luz que criará raízes

Quando tenho o poder de ficar bem comigo mesmo sem protesto de ter poder
É quando posso por um segundo parar de caminhar e olhar as cores
O verde e o marrom o azul e o branco o arco-íris e o arco-íris que é o entardecer
E também o negro com pequenas faíscas de luz que traz o protesto pros amores

Quando desejo estar satisfeito tenho que me livrar dos meus desejos
Nem que por apenas um segundo esquecer que o tempo corre
Esquecer dos sonhos e só aceitar o que é natural e que me cerca
E sentir (não saber) que meu corpo vive mesmo que o tempo diga que morre

Quando quero estar feliz bem satisfeito e contente é que eu quero estar em paz
Para isso preciso ter-me sustentado só mesmo que só nunca eu esteja
preciso não por meu peso sobre outro ombro nem carregar nenhum sobre o meu
E quando sei que estou em paz é quando sei que sinto o amor com clareza

Se por acaso...


Se eu não sentir mais o clarão da madrugada
E não ouvir a natureza com minhas mãos
Se aqui sentado parado na praça a beira da estrada
Não sonhar em comunhão como uma união

Significa que não a mais viva esperança
No desencarno é que se cala minha fé
E frios se verão os olhos da criança
Sabendo ser-se uma mulher tal como é

Neste dia não me de a bela flor morta
Já não será eu a cor que encarna em carne minha
Pois minha coluna estará torta e trancada estará minha porta
E toda luz que se via que avia sumira

Neste dia talvez eu seja o que eles almejam
E talvez me inclua no sombrio prazer
Mais os monstros que gracejam e em frio manto se beijam
Jamais vão saber o que foi um dia amar você

O verdadeiro fruto da criação


Quando  o mundo finalmente te ver
Sob a luz das estrelas e do luar       
E o desabrochar da terra corpo
Der a luz para tua história começar

E só se cantará o canto dos anjos
Dos corações que te rodearão
Junto da nevoa fria que trará
O primeiro pranto a muito preso em teu pulmão

E o teu canto ecoará ao longe
Por trás da relva e da seiva do teu novo lar
E o universo sentirá tua presença
E o amor um novo lar para habitar

Tu terá entre os braços da deusa mãe
Que aquece e protege toda criação
E de seu colo receberá a liquida benção
O fruto da arvore da criação

Não haverá mais sofrida dor
Nem tão pouco o velho peso de viver
Pois os espíritos serão sempre contigo
Quando tu, em tua alma renascer

O destino dos anjos


O que você faria se eu dissesse que estão matando
Que estão torturando pra manter a escravidão
Que estão machucando por prazer
Que sobre isso fazem festas de comemoração

O que faria eu se dissesse que estão sendo cortados
Que estão sendo abertos mortos e vivos
Que são drogados, infectados, contaminados e examinados
Que tudo é feito sem razão e sem motivos

O que faria se eu convencesse que você foi enganado
O que faria se você também tivesse sido usado pra isso
Que foi parte de tudo sem saber da verdade
Que foi obrigado a perder o afeto e perdeu o juízo

Quando você puder entender o que digo vai saber
O porquê me revolto em discussões de bar
O porquê não como com você mesmo sendo meu amigo
O porquê te olho como se fosse capaz de um dia matar

Plenitude


Jamais pensei encontrar tamanha plenitude
Sentindo o calor de seu hálito quente pedindo calma
E isso tudo em minha alma gira
Misturando todas as cores de seu corpo com minha alma

Posso sentir minha alma cortando na carne
Pedindo perdão pelos meus pecados mais negros
O instante da redenção em plena quietude que antecede a guerra
É o dilatar de seus lábios molhados de segredos

Poderia carregar um mundo em minhas costas
Poderia ate tentar saber quem eu sou
Poderia trair meus pensamentos, minha ideologia

Trair meu medo da morte e da escuridão
Poderia morrer em teus braços neste momento
Que vida melhor no mundo não existiria

Filosofia

Não confunda sinceridade com ignorância
Não confunda disposição com submissão
Não confunda ira com perseverança
Nem confunda meu amor com obsessão

Minha dor é não ser compreendido
E minha angustia e não compreender
Medo só de um dia me alojar no abrigo
Daqueles que lutam pra não se mover