terça-feira, 2 de novembro de 2010

Intimo


As orações das orações me enraivecem,
Mais sobreponho a incapacidade da minha raiva
As grades que me levam ao matadouro.
Afinal, somos ovelhas de lã de ouro.
Que cidade não quer seu próprio humano pensante,
Rações inacabáveis desta maquina dominante:
-Dêem mais pensamentos a este magrelo porco,
Muita preguiça para que fique gordo sem esforço.
E os pensamentos correm por baixo do meu couro
Como fosse eu um defunto encoberto de vermes que criei,
Que amei que me dei por completo
Como a virgem se da ao feio sofá sujo da sala
Coberta pelo corpo de seu único amado predileto.
Eu me dei, e agora me quero de volta.
Abri mão de mim pra não ser só e hoje já não sei quem sou
Me matei , e renego o eu assassino que sobrou
E vendo que já não posso mais me ressuscitar
Mato-me a este eu que me matou, tentando mudar
E viro eu assassino do assassino eu que me matou
Enquanto isso, me dei as costas, o meu eu correu,
Sumiu pelas ruas o único passado meu que se amou
Tento correr metálico pelas ruas feitas de carros.
Rua feita para que os postes tenham alguma utilidade
Alem de serem alongadas estruturas metálicas
Desnecessariamente reluzentes da cidade.
Cidade feita para as ruas que tento desesperadamente correr
Devorem a mascara cobradora de minha idade.
Corro inutilmente sem respostas por que minha rua feita de carros
Foi devidamente trocada por uma esteira
Que comprei pra sala correr semana passada
Antes de comprar minha morte rolante na escada
Minha própria gordura saturada de TV e besteira.
Quero um cigarro, mais ainda não sei fumar.
Você promete me ensinar se eu pular do carro e me esborrachar?
Você me iludiria se mais uma vez eu não conseguisse me matar?
Você juraria que é infindável esse seu amar?
Eu conheço um penhasco próximo deste lugar
Você gostaria de ir lá pular comigo
Mais do que nunca Sinto vontade de pular,
Mais do que qualquer outra vontade que já tenha sentido,
É a única coisa real, cair sem querer voar,
É a única lógica que não precisa ter sentido
Mais não quero chegar ao chão tão rápido assim.
Quero o infinito de nos dois caindo dentro de mim
Se eu te pedisse, você casaria comigo esta noite?
Se você pulasse do penhasco comigo eu te prometeria:
Que quando você estivesse dormindo não te mataria.
Que quando você estivesse com outro não brigaria.
Que quando você estivesse correndo não atiraria.
Há eu te prometeria
Que quando você estivesse morrendo junto eu me mataria
Mais eu sei sim...
Eu sei...
Puta merda eu sei que você jamais morreria por mim.

Um comentário:

  1. essa eu acho genial de mais pra te-la eu desabrochado no papel...
    fiz metade em uma noite e outra metade de manha assim que acordei... "Da noite pro dia".

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