Quando a noite seca derrubou seu manto
Quando a voz suave parecia um pranto
Quando seu chamado fez rasgar-me a noite
Quando a velha sem nome saciou sua foice
Quando meu silencio parecia um grito
Quando a longa rua parecia um vicio
Quando fui das trevas nas trevas me acabar
Quando sequei meu rosto pra te ver chorar
Quando sua ausência já me era sentida
Quando minha dor cedeu a dor de outra vida
Quando me disse baixinho no meu rosto colado
Quando lentos sentamos de lado, lado a lado
Quando tudo que eu tinha era uma humilde lembrança
Quando sumia com o vento a chama da esperança
Quando não havia maldade muito menos pudor
Quando podia falar finalmente em dor
Quando o facão do vento rasgou a ceda saudade
Quando o impulso da volta me dividiu a metade
Quando o grito no vacou virou sussurro de vontade
Quando o novo amanhecer presenteou-me tua imagem
Quando a manha trousse a palavra que salva
Quando sol calo-se e minha dor estava calma
Quando sua palavra afastou-te e a minha aproximou
Quando o nenhum grito se ouviu por quem retornou
Quando o tempo sem presa arrancou a ferida
Quando atentos passamos desatentos a vida
Quando não era de fato nem o fato era de se ser
Quando tentamos distantes mais próximo conviver
Quando jogamos com a noção de estarmos vivos
Quando enterramos a chama mesmo sem termos o perigos
Quando minha boca decidiu o que a tua me repetia
Quando finalmente acabou o que eu ainda sentia
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