Hoje eu morro, e imagino:
Na hora em que hoje eu morresse,
O que eles, pensando não me conhecer, fariam;
O que você, fingindo ter me conhecido, diria;
O que eu, vendo-te me ver morto, pensaria.
Mas hoje eu morro.
Só me cabe imaginar
O quanto, a me ver morto, você sofreria,
Quando você viraria as costas.
E quando você me esqueceria.
Se ao menos como os outros fizesse
Se dessa sombra solitária da poesia me desfizesse
Se um último sentido a meu último dia desse
Mais não o faço, nem desfaço
E nenhum sentido dou.
Mais mesmo que assim fosse
Não adiantaria o esforço...
Pois hoje, hoje eu morro.
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