terça-feira, 2 de novembro de 2010

Hoje eu morro


Hoje eu morro, e imagino:
Na hora em que hoje eu morresse,
O que eles, pensando não me conhecer, fariam;
O que você, fingindo ter me conhecido, diria;
O que eu, vendo-te me ver morto, pensaria.

Mas hoje eu morro.
Só me cabe imaginar
O quanto, a me ver morto, você sofreria,
Quando você viraria as costas.
E quando você me esqueceria.

Se ao menos como os outros fizesse
Se dessa sombra solitária da poesia me desfizesse
Se um último sentido a meu último dia desse
Mais não o faço, nem desfaço
E nenhum sentido dou.

Mais mesmo que assim fosse
Não adiantaria o esforço...
Pois hoje, hoje eu morro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário