Mas o que ninguém sabia era que seu maior encanto não era o parque, gostava sim do ar que as plantas lhe traziam, quando ele passeava por aquelas arvores sentia-se tão leve quanto uma folha seca, que cai no inicio do inverno, Davam-lhe certa paz. Mas o real motivo de suas freqüentes e crescentes idas ao parque era o céu. Costumava passar horas deitado no meio da grama a olhar o céu noturno: as noites sem luar podia-se ver melhor as estrelas; nas noites de lua tudo clareava as superfícies das arvores, a grama, as flores, os pequenos seres que passavam despercebidos aos desatentos; as noites chuvosas, gostava de se deixar molhar na grama, fechava seus olhos e só sentia as gotas caírem sobre a pele, e escorrer-lhe sob a pele, gostava da sensação o que a água lhe trazia; mas as noites que mais gostava eram as noites de frio, dizia que se podia ver melhor todas as estrelas e a luz que iluminava as nuvens pareciam lhe cotar todas as mais lindas tristezas de que as noites já tiveram noticia. Os dias não eram menos agradáveis, nem passavam despercebidos aos olhos, gostava de olhar as nuvens, era apaixonado por elas, as nuvens eram como a própria definição da paz em seu espírito jovem, despreocupado e livre. Também não era de perder uma tarde, sentia certa intimidade para com elas. Mas acima da noite, acima do dia e da mais divina tarde saia ao parque para ver o amanhecer era fascinado pela manha saia antes mesmo do dia amanhecer não perdia um instante se quer. Um local perfeito para as suas leituras, muitíssimas vezes exageradas, em que se encontrava cada dia mais viciado. Passava assim as suas horas naquele pequeno paraíso.
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