Quando fujo de noite... Sei que não fujo
Mas se fosse uma fuga como finjo fugir quando fujo de mim
Quando caminho sem esperar chegar a nenhum lugar
Tal como não espero sair de lugar nenhum que seja concreto
É quando percebo o quanto senti, mesmo em cacos,
Mesmo que aos poucos e distante como se não tivesse sentido
Como se tudo fosse apenas uma imaginação.
E todas as guerras que venci deitado no sofá,
E o discurso a que levei o mundo a não ser mundo vão,
O lábio mais suave, e rosado, e molhado que beijei
Sem nunca tê-lo tocado os meus lábios.
Levo dentro de mim um mundo que vivi e não me foi suficiente,
Por mais que tenha lutado desesperadamente pra sentir.
E um outro mundo que senti e não vivi,
Por não ter tido a chance, por não ser carnalmente possível
Por não vive-lo como esperava vive-lo seja lá por que motivo.
Um mundo que olhei tudo, e senti todos os cheiros e sabores
E nunca me pareceu completo o suficiente
E um mundo que criei como se ouve-se criado um filho
O vi crescer, se desenvolver o alimentei
Um mundo que esperava e que nunca encontrei.
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